quinta-feira, 28 de maio de 2009

Prelúdio III - Treinamento difícil, combate fácil

Após o incidente na vila, Cray seguiu para a floresta, como lhe havia sido indicado, à procura de um homem chamado Glenn, que poderia lhe ensinar como combater.

Caminhou por algumas horas, até que encontrou um casebre de madeira no meio de uma pequena clareira. Saía fumaça por uma chaminé feita de tijolos. Havia uma pilha de lenha cortada do lado de fora do casebre, com um machado cravado em um tronco, o qual parecia ser o próximo a virar lenha.

O menino (pois Cray tinha pouco mais de 15 anos) foi se aproximando cautelosamente, confiante em sua furtividade, porém quando se aproximava da pilha de lenha, foi interceptado. O golpe foi rápido, porém não pode-se dizer que foi indolor.

Quando Cray levantou-se, olhou para quem havia lhe atacado. Um homem alto, robusto, que inspirava medo e respeito ao mesmo tempo, de mãos vazias. Glenn.

Cray explicou os motivos que lhe levaram até ali, contou sua história e do sentimento de vingança que lhe guiava. E Glenn, agora Mestre Glenn, aceitou.

Durante alguns anos Mestre Glenn treinou e guiou o garoto, tanto física quanto espiritualmente. Ensinou-lhe que o homem deve estar sempre preparado para o combate, mas deve buscar a paz. Ensinou-lhe como controlar a sua raiva, e como canalizar as energias que recebia da sua divindade patrona. Sobre isso, passou alguns ensinamentos que Cray deveria seguir a vida toda.

Ensinou que "mesmo que a divindade que lhe canaliza poder seja infinitamente poderosa, há um limite para o poder que ela pode lhe fornecer. Esse limite está condicionado à sua fé, e a quanto poder o seu corpo pode suportar."
Mestre Glenn também treinou o jovem Cray no uso da "Double-sword", uma "arma capaz de atacar e defender ao mesmo tempo".
Ensinou que para cumprir sua missão, deveria primeiramente sobreviver. Para isso, Cray realizava todo o seu treinamento vestindo uma armadura de couro, com pesos acoplados.
Quando retirava os pesos, sua agilidade era incrível.

Quando Cray completou 20 anos, Mestre Glenn chamou seu discípulo para conversar.
"Cray, hoje você completa 20 anos. Está há 5 anos treinando comigo."
"Sim, Mestre, e acredito que aprendi muita coisa."
"Cray, você aprendeu tudo que eu podia ensiná-lo. Agora você deverá seguir o seu próprio caminho. Fique com essa espada. Que em momentos de crise, ela possa refletir uma luz no seu caminho."
"Mas Mestre, será que eu vou cons..."
"NUNCA duvide de você. Se você tiver acreditar, de verdade, conseguirá qualquer coisa."
"Obrigado, Mestre Glenn. Não vou decepcioná-lo."

E Cray partiu, carregando tudo o que possuía:
Força, Coragem, e Fé.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Prelúdio II - Nem só de vitórias vive um herói

Aproximadamente uma semana após a morte de seus pais, Cray seguia, meio sem rumo definido, atrás da criatura que lhe despertara tamanha sede de vingança. Ia de vila em vila, ajudando com coisas pequenas, fazendo bicos, se virando como pudesse.

Até que em uma noite, teve um sonho. Sonhou que um lobo, maior do que um lobo normal, invadia a vila onde estava e atacava os moradores, devorando alguns e carregando outros para seu covil.
Cray sabia que tinha que impedi-lo.
Falou com o responsável pela vila, mas ele o ignorou. Achou que era uma conversa de criança, imaginação da mente fértil de um viajante. Foi inútil argumentar.

O menino decidiu agir.
Na calada da noite, ficou de tocaia. E quando o lobo apareceu, muito maior e mais atroz do que lobos normais, Cray atacou. Primeiro um virote de besta, e quando A besta notou que estava sendo atacada, mais um virote. Ela partiu pra cima de Cray, e ele sacou sua adaga.
A luta foi difícil. O lobo possuía uma agilidade incrível, e esquivava dos ataques da adaga de Cray com uma facilidade assombrosa. Por sua vez, quando golpeado pelas garras da criatura, Cray demonstrava persistência e determinação, contendo sua dor e evitando que seus pontos vitais fossem atingidos.
Porém, a fera, levando vantagem, conseguiu atordoar o garoto, e partiu em busca de suas vítimas. Antes dela sumir na noite, Cray ainda pôde ver o brilho sobrenatural dos olhos do lobo que combatera. E o derrotara.

Na manhã seguinte, o chefe da vila foi falar com Cray. "Peço desculpas por não ter dado o devido crédito às suas palavras, jovem", disse o chefe. "E eu peço desculpas por não ter sido forte o suficiente para salvar as pessoas de sua vila", respondeu, quase imediatamente, Cray. "Não deixe que a culpa tome conta do seu coração. Você fez o que estava ao seu alcance." "Mas não foi bom o suficiente, né?" "Fique tranquilo, garoto. Olha, em uma floresta ao norte daqui mora um sábio... Dizem as lendas que outrora ele foi um grande guerreiro. Talvez possa lhe ajudar. Seu nome é Glenn. Vou escrever uma carta lhe recomendando."

E Cray partiu, novamente, agora à procura do Mestre Glenn, um sábio que poderia orientar seus passos rumo ao desconhecido...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Prelúdio - Nasce um Avenger

No início, levava uma vida normal.

Não era o filho exemplar, mas aprendia com seus erros. Era esperto. Ágil.
Não se machucava facilmente, mesmo nas brincadeiras mais ousadas. Resistente.
Porém, era comum.
Filho de um feirante e de uma costureira, Cray Lionheart vivia correndo pelas ruas de sua cidade natal, onde aprendeu algumas de suas habilidades.
Não ligava muito para autoridade... Achava que isso limitava, prendia as pessoas... Gostava de ser livre. Mas obedecia seus pais.

Um dia, quando tinha 15 anos, começou a ter uns sonhos estranhos... Sonhos com monstros... Mortes... Sangue...
Corriam boatos, nas ruas, de que algumas pessoas estavam desaparecendo... Perguntando para as pessoas certas (e Cray SABIA quem eram as pessoas certas), ele descobriu que elas estavam sendo mortas por alguém. Mas Cray sabia que não era alguém. Era
alguma coisa. Pois ele tinha sonhado com essas mortes.

Depois de algum tempo, seu pai começou a prosperar... Passou de feirante a próspero comerciante como num passe de mágica. Rápido. Rápido
demais. E Cray teve um sonho com seus pais.

Sonhou que
alguma coisa vinha à casa deles e assassinava seus pais a sangue frio. Ficou com medo, muito medo, mas tinha mais medo de falar com seus pais e parecer estranho, uma aberração.
E então seu sonho se realizou.
Em uma noite escura, mais escura do que as outras, um ruído irrompeu na casa dos Lionheart. Um ruído de dor ecoou, e Cray correu para socorrer seus pais. E o que ele encontrou mudou sua vida.

Uma criatura demoníaca, abissal, com os olhos em brasa, coberta com o sangue de seus pais. A criatura falou, com uma voz soturna e profunda ao mesmo tempo: "
Eu lhes dei o que queriam. Não quiseram me pagar o que foi acordado. São só negócios." E gargalhou.
E continuou: "
Você é inofensivo, não vou perder meu tempo com uma criatura tão imprestável." Ao mesmo tempo que saía, ordenou a um lacaio que executasse o menino.

Nesse instante, lembrou-se de suas visões. E em um instante, rezou. Se o ser responsável pelas visões o desse força suficiente para destruir o assassino de seus pais, ele seguiria as visões, onde quer que elas o levassem.

O Acordo se fez. Nasce um Avenger.

Guiado e protegido pela fé em um deus que Cray não conhecia, partiu pra cima do lacaio, que caiu após uma luta sangrenta. Assim que terminou, saiu de sua casa, para perseguir o assassino. Porém ele já havia sumido.
Então Cray juntou suas coisas e partiu, em busca do assassino de seus pais, guiado por suas visões.

No início, levava uma vida normal.
Agora não mais.